O ECEM

Belo Horizonte (BH), a capital dos mineiros, possui atualmente uma população de 2.513.451 habitantes (IBGE, 2016), distribuída em uma área de 331.401 km2. Localizada no coração de Minas Gerais, em meio à Serra do Curral, BH é uma metonímia dos anseios, das contradições e das lutas do Brasil e dos brasileiros. Sua história remete ao século XVIII, quando surgiu o povoado Curral del Rei, um entreposto comercial da mineração. A Proclamação da República em 1889 trouxe um espírito de transformação ao Brasil, o que exigiu a mudança de capital da já decadente Ouro Preto para Curral del Rei, agora chamada de Belo Horizonte. A cidade foi, então, planejada pelo engenheiro Aarão Reis para conter apenas 100 mil habitantes, nos limites da Avenida do Contorno, uma subestimação que acarretou o desenvolvimento descompensado de periferias. Nesse contexto, então, BH abandona um estágio puramente provinciano e adota traços de urbanidade, uma contraposição ainda muito evidente no cenário atual.

Em um recorte para o momento presente, é essencial observar a crise generalizada pela qual o Brasil perpassa, que envolve diretamente questões de saúde e formação médica. Nesse sentido, a superação do senso comum acerca dessa conjuntura percorre, impreterivelmente, o debate conjunto por parte dos afetados por esse processo, que, nesse caso, são os estudantes de medicina do país e os usuários do Sistema Único de Saúde. Assim, propõe-se a ocorrência do ECEM 2017 em Belo Horizonte, um espaço de discussão e deliberação democrática em uma cidade capaz de contribuir significativamente para a construção coletiva desse conhecimento.

A política, seus atores e suas disputas sempre compuseram uma forte marca na história de BH. Exemplo disso é a Ditadura Militar, período em que a capital dos mineiros demonstra sua força para além da política tradicional, quando movimentos estudantis e sociais atuaram veementemente contra os militares, principalmente, nos episódios em que estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) enfrentaram a polícia militar, conhecidos como cercos à FAFICH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas) e às escolas de Direito e de Medicina. Apesar das derrotas, essa propensão da juventude belo horizontina em se organizar na luta pelos direitos do cidadão permanece intensa até o presente momento, como se pode observar nas atividades e nos eventos propostos pela DENEM nas últimas décadas.

Em termos de medicina, Minas Gerais é, hoje, o segundo estado com mais vagas para esse curso no país, 3.788 por ano, distribuídas em 42 faculdades, ficando atrás apenas de São Paulo. Diversas faculdades públicas e privadas estão localizadas na região metropolitana de BH, um fato que eleva a cidade a uma estratégica localidade para receber eventos do movimento estudantil de medicina. Além disso, há um amplo interesse por parte dos alunos dessas instituições em organizar e participar de eventos estudantis.

A cidade conta, ainda, com diversas opções culturais e turísticas, que vão muito além dos bares, para integrar os visitantes das diversas regiões do país à cidade e a seus habitantes, destacando-se:
Ademais, a 60 km de Belo Horizonte, no município de Brumadinho, há o Instituto Inhotim, considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina, onde natureza e arte propiciam uma experiência sinestésica única aos visitantes.

Uma capital jovem, centralmente planejada e perifericamente desorganizada, provincial e cosmopolita, berço de tradições centenárias e renovação constante, de praças pacatas e bares agitados, do sotaque manso e das gírias. Belo Horizonte é o espelho pelo qual um Brasil de contradições discute, delibera, avança e, por fim, se encontra.

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ECEM 2017